Além das fronteiras



FOTOS: BEATRIZ ABI-ACL

Obras de Beatriz Abi-acl da série "A Alma da Paisagem
Brasileira" No detalhe: Betriz Abi-acl: mostra na Itália
reciclagem segundo o artista plástico Piló.




FOTOS: ORI/DIVULGAÇÃO

Obras de Fernando Vignoli: situações expressionistas, com
predomínio ou subrrealismo No detalhe: Fernando
Vignoli: obras nos EUA



Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS

O que há em comum entre Fernando Vignoli e Beatriz Abi-acl? Por caminhos opostos, os dois artistas conquistam o mercado internacional. O primeiro chegou à América. A segunda já conta com agente e galeria na Itália. Além de estudar na “Art Student League” de Nova Iorque, vignoli cercou-se de agentes e agora, acaba de inaugurar galeria de arte própria em Sag Harbor, lá para os lados dos Hamptons (leia-se East Hampton e South Hampton), playground dos ricos e famosos. Em tempo: os Hamptons em termos artísticos culturais podem ser comparados ao Sul da França, Los Angeles, Londres e Milão.
Vignoli faz atualmente uma temporada de dois meses no Brasil, mas a partir de maio, vai passar a trabalhar e criar cerca de três meses por ano nos EUA.
Já Beatriz está se preparando para temporadas de primavera, verão e outono na Europa.
Faz-se necessário reconhecer o bom desempenho para os dois artistas que, de maneira constante, prática e objetiva estão investindo nas suas respectivas carreiras internacionais.

A trajetória de Beatriz

Em 1990, após participar com pintura em Roma, na Itália, integrando coletiva de artistas contemporâneos brasileiros, Beatriz decidiu conquistar a Europa via a Itália. De Roma foi sozinha para a Firenze, na Toscana, onde tem amigos que já conheciam e apreciavam suas propostas. De lá, foi para Veneto (em Ponte della Priula), onde enturmou-se com artistas italianos. Convidada por um adido cultural italiano, ela participou como represente do Brasil da mostra Internazionale D’Arte Solidarietá. Na ocasião, deu até entrevista para TV e jornais italianos, numa delas acompanhada de Marina Montini - a eterna Musa de Di Cavalcanti.
Segundo Beatriz, os italianos amam arte e não têm preconceito com aquarela ou gravuras. Gostam do trabalho feito com o que eles chama de “alma brasileira”, nome que registrou e divulga suas obras. De 2006 a 2007 foram praticamente quase 100 obras, diga-se de passagem aquarelas vendidas lá.
Agora, a artista volta às cidades onde já é conhecida e conta com mercado. A mostra vai começar por Milão, onde conta com a conceituada marchand italiana, Sra. Cazzaniga. Atualmente, Beatriz se inspira na vegetação e nas montanhas mineiras. Sem dúvida, um filão tipo exportação e uma carreira em ascenção.

As conquistas de Vignoli

Depois de um período de idas e vinda, Fernando Vignoli fixou-se de vez nos últimos quatro anos nos Estados Unidos, entre Nova Iorque (Manhattan) e no entorno dos Hamptons. Pode-se dizer que o artista mineiro já faz parte da história dessa charmosa cidade. Sem pretensões, ao deixar o Brasil, Vignoli tinha como objetivo principal construir uma carreira sólida no exterior.
Trafegando por espaços labirínticos e sombrios, inserindo situações ora expressionista, de acordo com a Escola Alemã, atingiu o ápice com seus óleos sobre telas monumentalizados, quase que painéis, predominando o surrealismo em função do desdobramento do expressionimso ou da fusão das duas tendências.
Vignoli faz desenhos sobre papel e depois os pintam (seriam desenhos pintados?). O resultado é transferido para o óleo sobre tela. Há também instalações com livros achados ao acaso ou reciclados.
Agora trabalhando no seu ateliê do Sion, em Belo Horizonte, Vignoli vai exibir uma seleção de quase 100 propostas. Metade vai para uma individual em Amsterdã, na Holanda e a outra metade segue para a galeria nos Hamptons - sete delas estão desde já adquiridas por conhecidos colecionadores de Nova Iorque, Chicago e Los Angeles. Para se ter uma idéia, vários edifícios recém construídos em Nova Iorque tem obras do artista e até painéis. Nova Iorque exerce grande fascínio sobre o artista, sua obra e sua trajetória mais recente.


(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte (ABCA-AICA).Home Page: www.morganmotta.com. E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br

26.02.2007