Contemporâneos



FOTO: DIVULGAÇÃO

Da série “Ícones de CamilleK”, na terça feira na Murilo de Castro



Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS

Artes na semana movimentada com coletiva, individuais e dupla mostra. Destaque para os vernissages da coletiva na Murilo de Castro e individual de Carlos Vergara, na Manoel Macedo Galeria de Arte. As mostras em cartaz inauguradas na semana passada merecem visitas: Alda Limatos, na Galeria do Pic Cidade, e a dupla Selma Weissmann e Waldelice Neves, no espaço alternativo Café Nonna Olímpia. Voilá.
A Galeria Murilo de Castro inaugura seu calendário 2007 apresentando Coletiva do Acervo e Sala Especial de Camille Kachanne. Sob a denominação “Ícones de Kachannne”, 14 propostas reúne o que “batizou” de ícones, ou seja, símbolos e signos da cultura globalizada. Aprofunda e atualiza a optical-art (releituras), com sua tradicional ironia e seu fino humor, trafegando com o que ele chama de cultura superficial. Sutilmente, julga e condena, desnudando sua trivialidade “desumanizante”. Na abertura, o artista Fábio Carvalho fará uma performance (ah! que saudades das bienais dos anos 70...), criando uma obra que ficará exposta. Em tempo: antigamente, as performances eram efêmeras e imediatas. Às vezes, através de filmes curtas metragens ou vídeos. Hoje, deixa prá lá...
Na coletiva, estão, entre outros, Ana Holck, Benjamin, Borgerth, Eduardo Sued, Fernando Lucchesi, Fernando Veloso, Vignolli, José Bento, Mauro Bandeira, Mônica Sartori, Gerchman e Victor Arruda.

Sala Especial de Camille Kachani e artistas do acervo. A partir das 19 horas de amanhã, na Murilo de Castro Galeria (Rua Benvinda de Carvalho, 60, no Santo Antonio), de segunda à sexta, de 10 às 19 horas. Sábados, das 10 às 14 horas.



FOTO: MARIA SOBREIRA

Vergara trabalhando: “work-in-progress”


Vergara na Manoel Macedo
Provavelmente um dos notáveis da vanguarda dos anos 60 ao lado de Antonio Dias, Gerchman e Dileny Campos, o gaúcho radicado no Rio, Carlos Vergara, inaugura sua primeira individual em Belo Horizonte. A pintura é o foco principal da mostra, mas o artista não se priva do aproveitamento de novos materiais e tecnologia à disposição.
São propostas dos últimos dez anos, trafegando pelas mais variadas técnicas, além de montagens fotográfica em três dimensões. O uso deliberado de diferentes materiais e da monotipia como início de procedimento, sem dúvida, é o fio condutor que confere unidade às propostas. Tais monotipias sofrem posterior intervenção no seu ateliê. É uma pintura construída por camadas. Há também obras produzidas com material carbonizado do incêndio ocorrido há alguns anos em seu ateliê. O tom sombrio que as diferencia dos outros não é, no entanto, menos celebrativo.

Vergara. Vernissage quarta feira, às 20 horas, na Manoel Macedo Galeria de Arte (Rua Lima Duarte, 158, no Carlos Prates). Visitas de segunda à sexta, das 10 às 19 horas, aos sábados, das 10 às 14 horas.

 

FOTO: PIC CIDADE

Alda Limatos nos limites do figurativo e abstrato


Em cartaz
Alda Limatos, graduada pela Escola de Artes Visuais do Parque Lage, sem maiores malabarismos e sem vernissage, está em cartaz na Galeria Pic Cidade. A trajetória da artista, recheada de prêmios e de tendências variadas, às vezes, dificulta uma análise imediata em termos de técnica e do estilo. Há certa dificuldade em determinar se são figurativos ou abstratos. Trata-se de linguagem própria, numa pintura bem qualificada que paira nos limites do figurativo e do abstracionismo.
A crítica Guiomar Lobato, membro da Abca e da Aica, em função de tal peculiaridade, foi prática e objetiva ao classificá-la como artista do “figurativo expressionista”. Ela assim se expressou: “Alda tem a grande força expressiva nos traços, compondo uma fusão perfeita entre o fundo coberto de estilhaços de cor e as figuras humanas que dele emergem, intensas, emocionais e plasticamente perfeita”.

Exposição Ritmo e Cor. Pinturas de Alda Limatos, em cartaz na Galeria do Pic Cidade (Rua Claudio Manoel, 1185, Savassi), até dia 30. Visitas das 9 às 21 horas, exceto aos domingos.

 

FOTO: ADALBERTO ULN

Acrílica sobre tela de Selma Weissmann


“Essas Mulheres”

Mais uma coletiva, agora “Essas Mulheres”, ocupa a galeria alternativa Café Nonna Olimpia. Com curadoria de Luiz Otávio Brandão, apresenta obras de 12 artistas plásticas e homenageia a pintora Selma Weissmann e a escultora e perfomer Valdelice Neves, como homenagens pelo Dia Internacional da Mulher.
Valdelice Neves, que além das pinturas também faz interferência com suas esculturas inspiradas nos ninhos do pássaro João Congo (instalações), permite uma perfeito diálogo com as pinturas que tem como foco mulher(es) de Selma Weissmann.
São pinturas de um lirismo a toda a prova, na maioria das vezes, com um ar ‘guignardiano‘. As demais integrantes são, entre outras: Graça Pires, Elisa Grossi, Auxiliadora Lima, Marrafaria, Mariana Laterza, Pámela Kayser e a revelação Ana Cláudia Ceravolo, ex-aluna do ateliê livre de Selma Weissmann.

Essas Mulheres. Mostra coletiva poderá ser conferida no Espaço Cultural Café Nonna Olimpia (Rua Aimorés, 2305 em Lourdes), até 14 de abril. Visitas das 12 horas até o último freguês.

(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte (ABCA-AICA).Home Page: www.morganmotta.com. E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br

26.03.2007