Antônio Dias na Livro Objeto X Walter Navarro na Travessa





FOTOS: DIVULGAÇÃO C/ARTE – CIRCUITO ATELIER


1 - Nota sobre a morte imprevista. Óleo, acrílica e vinil sobre tecido e madeira, do acervo do artista e expositor Antonio Dias, da mesma série premiada na Bienal Jovem de Paris, de 1965

2 - Ilustração de Walter Navarro do livro de contos “Le Canaille Amoureux” leia-se o Canalha Amoroso recheadas de suas referências pop sempre presentes nas suas propostas em termos de artes visuais e literatura




Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS


Depois do feriado de 21 de abril, cujo destaque maior foi o artista plástico Severino Iabá, com suas intervenções, objetos e instalações no quarteirão fechado da Praça 7 (maiores comentários capa da próxima semana com seus desdobramentos dia Primeiro de Maio em Brasília), vamos aos lançamentos relacionados com livros cujas referências maiores são a Pop-Art, segundo Antonio Dias e Walter Navarro, respectivamente na Galeria Livro Objeto da C/Arte e na Livraria-Galeria Travessa.


Coleção Circuito Atelier alcança seu 46º volume

O artista plástico Antonio Dias, paraibano de projeção internacional e, por extensão nome essencial da vanguarda dos anos 60/70, foi o nome escolhido para a edição da série Circuito Atelier.Dias, bastante conhecido dos mineiros quando expôs na Grande Galeria da Reitoria da UFMG (62) e quando foi premiado na Bienal Jovem de Paris (65), discorre nesta publicação sobre momentos importantes de sua trajetória e obra.Em entrevista concedida a Roberto Canduru e Marília Andrés, organizadores do volume, ele fala de seus principais trabalhos, suas experiências docentes, as viagens realizadas, entre outros aspectos deste artista cuja trajetória é marcada pela transitoriedade e pelas múltiplas possibilidade criativas.”O que eu quero ver é o meu cotidiano mesmo, o meu dia a dia como pessoa, como grupo social, como identidade.Isso é fundamental na minha relação com as artes, com a experiência, com a possibilidade de procurar sempre novas saídas, não se ensimesmar e não se satisfazer com qualquer coisinha mais fácil.É uma malha, uma rede de pensamentos e uma rede plástica”. Durante o lançamento do livro na Galeria LivrObjeto da C/Arte, das 11 às 14 horas do sábado (Av. Gurarapari, 464, Pampulha), aconteceu a exibição de um vídeo sobre o processo criativo de Antonio Dias, dirigido por Ricardo Miranda e Clarissa Moebus Ramalho e coordenado por Mariana Tavares.Foi também apresentada uma mostra de livros objetos do artista e a inauguração de sua exposição virtual no site da C/Arte www.comarte.com O livro composto de 96 páginas e coordenado por Fernando Pedro e Marília Andrés, com ilustrações coloridas pode também ser adquirido no site da Editora C/Arte: www.comarte.com, bem como nas principais livrarias do pais , ao preço de R$32,OO Reais.Como se vê a C/Arte e suas edições do Circuito Atelier estão próximos da edição de número 50.Com relação a edição dedicada a Antonio Dias conta com o apoio cultural de Grupo Royal, Master Turismo, a Prefeitura de Belo Horizonte, a Fundação Municipal de Cultura, atr4avés da Lei Municipal de Incentivo à Cultura.


Walter Navarro & Literatura Pop

Quinta-feira à tarde vamos interromper nossos compromissos na pauliccéia desvairada, apenas para prestigiar o lançamento do livro do meu amigo Walter Navarro, no Café da Livraria Travessa, O Canalha Amoroso, a partir das 19 horas, à rua Pernambuco, 1286 – Savassi, numa promoção da Editora Dimensão e do Café Travessa;Afinal de contas, sua literatura é como sua arte, uma grande colagem de referências , enfim, uma grande reciclada pop de tudo, uma assemblage de lixo na arte e do que coisa que dormiam na literatura porque sempre ele cita e faz analogias com música, cinema, livros, Chico Buarque, Nelson Rodrigues, Vinicius de Moraes, Tom Jobim, etc.Tudo com humor e ironia e tratando coisas sérias como a morte do seu pai, de seus amigos, do cachorro e principalmente dos amores perdidos ou frustrados se prefere...Mas, com humor e lirismo, daí o nome “O Canalha Amoroso”. Pois é, em principio a ilustração seria sua (vide ilustração ), no entanto, a editora optou pela capa e contra-capa de Guto Lins, considerando que ela já fez dois volumes anteriores da coleção, através do Manifesto Design do Rio de Janeiro, sendo que a fotografia da contra-capa (leia-se orelha) é da esposa dele Adriana Lins, quando uma visita e matéria que fizeram juntos no Museu do Inconsciente, da Nilze da Silveira, no Rio de Janeiro.Ele fez o texto e ela as fotos na ocasião, para a Revista Palavra.Voltando à ilustração da capa, quase contrária a do Walter, mas perfeita para o livro: sóbria e ao mesmo tempo moderna, ousada, em azul e preto, cores fortes,.P.S.: Já lí e reli na noite que antecedeu ao feriado de 1o. De abril e recomendo com entusiasmo.Sabiam? Walter Nasceu em Barbacena City, estudou em Campinas na Unicamp e em Paris na Sorbonne e seus contos pop são excepcionais.


(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte - Orgão da Unesco.
Home Page: www.morganmotta.com
E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br


26.04.2010