Mestres em Sampa

FOTOS: MASP/ARQUIVO HOJE EM DIA

01. “Aula de Balé”, óleo sobre tela de 1880, de Degas
02. Éolo Maia em frente do edifício circular ao lado do Arrudas
03. “Rainha da Sucata”

Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS

“Degas: o universo de um artista”, ora em cartaz no Museu de Arte de São Paulo (Masp), continua em exibição depois dos imbróglios das contas de luz e de água a pagar, o que surpreende, porque se trata de instituição com acervo avaliado em quase US$ 1 bilhão.
Enfim, a exposição de porte médio, com obras do acervo do Masp e instituições da Europa e dos Estados Unidos, volta aos trilhos.
O Masp, uma das quatro instituições do mundo que conserva a coleção completa dos bronzes - principalmente da série bailarinas - de Edgar Degas, além de uma pintura e dois pastéis, apresenta ao público esta exposição sobre o excepcional artista.
A carreira de Edgar Degas foi marcada pelo estudo que ele fez dos grandes mestres do passado, e pela influência que seu trabalho exerceu entre seus contemporâneos e também artistas que vieram depois.
Trata-se de panorama sobre o itinerário artístico de Degas, que aponta artistas que foram importantes em sua formação, além da relação entre sua produção pictórica, seus desenhos, gravuras e fotografias com suas esculturas. Em tempo: além de museus americanos e europeus, uns poucos museus brasileiros também contribuíram com o conjunto em “display”.
Com propostas que pairam entre o impressionismo e o realismo, Degas entrou para a história pelas bailarinas e cavalos que retratou em excepcionais telas e mais tarde deu forma em esculturas, temas exemplares de sua obsessão pelo movimento.
Completa a exposição-homenagem um lote com pinturas, desenhos e monotipias de nomes do impressionismo, como por exemplo Monet e Renoir, e artistas que influenciaram ou foram colecionados por Degas.
Hilaire Germain Edgar de Gas, depois batizado de Degas (1834-1917), pode ter sua trajetória conferida através de 120 obras vindas de acervos internacionais, além das do acervo do Museu de Arte de São Paulo (MASP-Asssis Chateaubriand) e algumas “corajosas” instituições brasileiras que não tiveram medo de “deteriorização”, em função de falta de luz e, por conseguinte, falta de climatização...
Degas fica em cartaz no Masp (Avenida Paulista, 1578, São PAulo), até 20 de agosto.
Por sua vez, Éolo Maia (1942-2002) é uma das referências maiores da arquitetura pós-moderna mineira ou contemporânea. Maia ganhou reconhecimento e notoriedade nacional e internacional por suas propostas ousadas e precursoras em termos da utilização do metal.
Ele é um dos criadores do edifício do Museu de Mineralogia, na Praça da Liberdade, conhecido popularmente como “Rainha da Sucata”, bem como a sede do Grupo de Balé O Corpo, na Avenida Bandeirantes.
A exposição - diga-se de passagem das mais justas homenagens - relembra a trajetória do arquiteto vanguardista com projetos, fotos e maquetes. Paralelamente, no dia do vernissage, foi lançado o livro “Éolo Maia - Complexidade e Contradição na Arquitetura Brasileira da Editora UFMG”. O autor é Bruno Santa Cecília. O livro tem 205 páginas e o preço é de R$ 60.
Éolo Maia fica em exibição até 30 de julho, no Museu Casa Brasileira (Avenida Brigadeiro Faria Lima, 2705, São Paulo).
Outro mineiro ilustre está em cartaz em São Paulo: Amílcar de Castro, o programador visual e ilustrador de publicações. Como se sabe, ele foi responsável pela reformulação gráfica de jornais como Jornal do Brasil, Estado de São Paulo e Jornal da Tarde, respectivamente no Rio de Janeiro e em São Paulo. A exposição está em cartaz no Centro Universitário Maria Antonia (Rua Maria Antônia, 294, Vila Buarque, São Paulo), até o fim do mês.

(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte. Home Page: www.morganmotta.com. E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br)

26.06.2006