A liberdade das formas



FOTOS: MARINELLA UXA/DIVULGAÇÃO-MSN


Um dos trabalhos de Marinella Uxa, influenciada pelo abstracionismo geométrico e pela pop-art; abaixo, outra obra de Marinella e trabalho de ManfredoSouzanetto (3)




Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS


Marinella Uxa trafega pelas pinturas e desenhos orgânicos e abstratos. A individual desta dublê de arquiteta e artista plástica contemporânea, pela seleção das obras, pela iluminação e distribuição do espaço, resulta numa exposição irrepreensível, uma das mais interessantes dentre as inúmeras realizadas em Belo Horizonte pelo Espaço Cultural e Galeria do Pic Cidade.

Por sua vez, Manfredo Souzantetto é destaque numa cidade onde espacialidade x visualidade, na maioria das vezes, deixa a desejar. Enfim, que sirvam de modelos junto aos curadores e montadores que estão mais para amadores do que profissionais. Tais recomendações são extensivas aos estudantes de nossas escolas de artes visuais. Influenciada pelo abstracionismo geométrico e pela pop-art, Marinella exibe um único objeto-instalação, três pinturas e 21 desenhos de safra recente e criados especialmente para sua individual. "Foi na Escola de Artes Guignard, durante um exercício chamado Liga-Ponto, que identifiquei de imediato o sentido da interligação universal do cosmos", diz. "No desenho do universo, tudo está ligado a tudo", considera a desenhista. "Sem dúvida, o movimento contínuo do círculo é interminável. O movimento provoca o atrito, que gera as formas arredondadas: célula ou grupo celulares, ou então; uma arte orgânica". As formas geradas remetem à ideia de organismos vivos. Tais transformações desdobradas da composição, exatas entre traços, que mais de uma vez organiza e enriquece o espaço. Afinal de contas, o papel ou a tela não determinam o fim do traço. Ao contrário, seu desenho ultrapassa o fim do papel, e continua na imaginação que é infinita. Assim é como um capitão Ahab moderno em busca de sua Moby Dick, sem se dar conta de que o monstro é o seu próprio ser. Com relação à sua única incursão pelo tridimensional, sua escultura, objeto e instalação, sem dúvida, sintetiza todas às suas demais esculturas criadas em diferentes mídias out.

 

Manfredo recria e dá vida ao traço do abstrato

 

O artista: utilizando pigmentos e cores naturais encontradas nas terras brasileiras

Manfredo Souzanetto, com sua individual de pinturas, apresenta o que há de mais recente de toda sua produção. São propostas da mesma série apresentadas com sucesso na Feira de Art Paris e na Galeria Pascal Gabert , na capital francesa, no início deste ano.

A fase atual a partir de uma dimensão ecológica, o geométrico e o orgânico, constitui uma nova gramática ou linguagem. As pinturas e relevos são trabalhados e criados por ondulações e texturas vibrantes graças à utilização de pigmentos e cores naturais encontradas nas terras brasileiras. Corroboradas por uma relação dialética entre forma e cor, suas obras jogam com a textura do material, sua energia, sua sensualidade e seu dinamismo. Na maioria das vezes evocam corpos, o orgânico ou o vegetal, e declinam uma constelação de formas fazendo-as conhecer metamorfose e hibridação que fazem surgir figuras fugazes. Em cartaz na Galeria Quadrum (Avenida Prudente de Morais, 78, Lourdes).




(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte - Orgão da Unesco.
Home Page: www.morganmotta.com
E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br


26.10.2009