Verde arte que te quero


FOTOS:DIVULGAÇÃO/JOUBERT CÂNDIDO


PROPOSTAS: Espinheira Selvagem (1) e Frondosa Campestre (2) de Amancius, e (3) pintura primitivista de Jair Leall




Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS

Numa semana repleta de individuais e coletivas, chamamos atenção para a individual de José Amâncio de Carvalho, artisticamente Amancius, na Botânica Contemporânea e, de quebra, coletivas nas galerias Sesc e no Espaço Cultural Nonna Olímpia-Trattora Café.
A Botânica Contemporânea, da designer de moda e decoradora Iris Chaves foi ianugurada com a fusão de duas individuais; a primeira, de Fernando Cardoso, e a segunda do criador de objetos e esculturas José Amâncio de Carvalho, o Amancius.
Muito se falou das monumentais propostas do Cardoso; no entanto, quanto aos protótipos do grandioso projeto Ecologia do Futuro, pouco ou quase nada se disse. Daí, chamamos atenção para a obra de Amancius, em cartaz na Botânica Contemporânea até às vésperas do Natal.
O projeto compreende de 50 a 100 árvores, em tamanho natural, que seriam criadas em ferro e aço e colocadas em caixas de vidro ou acrílica e distribuídas no entorno da Lagoa da Pampulha, das proximidades da Igreja da Pampulha até o Museu de Arte. Dentre árvores raras em extinção constam a espinheira selvagem, frondosa campestre, chorão, primavera, crisaléia e até raízes de manguesais. Patrocinadores comprometidos desistiram do projeto. Fica a sugestão de visitar a exposição dos protótipos que, ao que parece, serão transformados em oito múltiplos que, de acordo com as normas de comercialização de arte, correspondem a objetos-esculturas originais.
Mudando de assunto e de artista, desde 1956, isto é, há 51 anos, Jair Leal, 72 anos, lida com pincéis e tintas. “Sou da época que a gente tinha que fazer as tintas”, diz ele, que trabalhou com pintor letrista em várias lojas de Belo Horizonte e Contagem, até 1995. Durante esse, tempo pintava esporadicamente, mas acelerou sua produção a partir de 1995, e somente em 2000, depois de aposentado, é que se dedicou intensivamente à pintura.
Como sempre foi dito que o ambiente é capaz de formar pessoas, Jair Leal influenciou todos seus oito filhos com a pintura. Daí, ele divide o mesmo espaço com seu filho Ronaldo Mendes. Ambos trafegam pelas propostas naifs ou primivistas e declaram que as influências maiores são dos artistas Eduardo Marzano e Eucliddes Botaro, com os quais trabalharam por quase dez anos.
Fechando o leque de destaques, a junção de duas individuais, de Alvany Borba e Luiza Drumond, encerra o calendário 2007 da Nonna Olimpia - Trattoria Café que, sob o título “Eterna Primavera”, apresenta exposição que encerra o calendário de 2007.
A curadoria é de Luiz Octávio Brandão que, no texto do catálogo, destaca que a dupla trafega pelo impresionismo, no entanto, com toques modernistas ou contemporâneos. Enfim, encerro com tal tópico, pra não dizer que, no decorrer do ano, não falei das flores e daqueles que desdobram o impressionismo em expressionismo (leia-se modernismo) e, por que não?, até no contemporâneo.

Ecologia do Futuro - Amancius. Protótipos Na Galeria Botânica Contemporânea (Pampulha). Até dezembro. Jair Ledal e Ronaldo Mendes
Na Galeria de Arte Sesc - Minas (Rua Tupinambás, 956, Centro). De segunda a sexta-feira, de 12h30 às 18h30. Até o dia 30.
“Eterna Primavera” - Alvany Borba e Luiza Drumond - No Espaço Cultural Nonna Olimpia-Trattoria Café (Rua Aimorés, 2305, Lourdes, quase esquina de Olegário Maciel). Até 6 de janeiro.


(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte (ABCA-AICA).Home Page: www.morganmotta.com. E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br

26.11.2007