História e criatividade

FOTO: GUIGNARD/JÚLIO HUBNER

1 - Alberto da Veiga Guignard - Auto retrato

2 - São Sebastião. oléo sebre tela, pertence ao acervo da Escola Guignard

3 - Obra de Yara Tupinambá, artista escolhida para registrar os 60 anos de fundação da empresa Vallourec Mannessman


Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS


Raras são as ocasiões em que fala-se na memória e, por extensão, na preservação e no registro histórico. No entanto, duas exposições e uma série de palestras-debates, para nossa surpresa, nos remetem a tais eventos. As exposições estão nas galerias da Fundação Escola Guignard da Uemg e da Vallourec & Mannesmann (VM do Brasil - Espaço Cultural do Centro Administrativo). Por sua vez, a série de palestras-debates inicia-se na próxima amanhã na Casa Fiat de Cultura, com a crítica de arte e historiadora mineira (radicada no Rio) Myriam Andrade de Oliveira, sobre o Barroco e Rococó na formação cultural mineira.

A Escola Guignard desenvolveu projeto de preservação do acervo artístico e documental que se encontra sob sua guarda. O projeto foi idealizado e coordenado pela professora Zenir Amorim.
Formado a partir de doações de Alberto da Veiga Guignard, o acervo permaneceu guardado por muito tempo, devido ao estado de conservação das obras que impediam sua exibição pública.
As intervenções necessárias demandavam o emprego de recursos financeiros, inviáveis para a Escola. Em 2007, foi iniciado o projeto, que foi possível com o patrocínio da Petrobrás “Programa Petrobrás Cultural”, através da Lei Federal de Incentivo à Cultura, que se juntaram aos esforços da Escola Guignard da Uemg e Associação dos Amigos da Escola Guignard.
A parceria possibilitou a realização deste empreendimento que materializa o empenho de preservação dos bens culturais guardados na instituição e contribui para o resgate histórico-documental e artístico do acervo.
Além disso, permite dar conhecimento público às peças ora em display onde figuram, dentre outros, documentos pessoais e inéditos de Guignard.
Contemplando ações de conservação preventiva das obras, o projeto promoveu a recuperação do acervo com restauração das obras, documentos e objetos de Guignard e de importantes artistas brasileiros - o aparelhamento da reserva técnica, que foi equipada com mobiliário adequado à guarda do acervo, instrumentos de segurança, climatização e leitura ambiental - o inventário do acervo, garantindo condições favoráveis de controle, acesso, pesquisa e documentação das peças, facilitando a disponibilização para mostras de caráter didático e museológico.
Aliando as ações de salvaguarda do acervo à finalidade primordial da Escola Guignard como instituição comprometida com o ensino das artes visuais, o projeto foi desenvolvido em ateliê vitrine, nas dependências da Escola, com participação de alunos estagiários e voluntários interessados no processo de restauração. Tais trabalhos foram presenciados pela comunidade acadêmica, conferindo à atividade caráter educativo. Enfim, o resultado está sendo apresentado em um catálogo e uma mostra de documentos, obras e objetos de Guignard, no auditório e na galeria da Escola. O acervo completo que possui 903 peças, fica disponível para pesquisa. Paralelamente à abertura da exposição, conferência e mesa-redonda foram realizadas pela professora Ivone Luzia Vieira com a participação especial de ex-alunos de Guignard: Jarbas Juarez, Lizete Meimberg, Maria Helena Andrés, Marília Gianetti, Sara Àvila, Solange Botelho, Vilma Machado e Yara Tupinambá.
Os professores atuais Antonio de Paiva Moura e Carlos Wolney também participaram. Sem dúvida, iniciativa das mais justas e estimulante.
A exposição do acervo artístico museológico da Escola Guignard fica em cartaz até o dia 15 de maio, na sede da Escola, na Rua Ascanio Burlamarque, 540, Mangabeiras, até o final de maio. Visitas de 9 às 21 horas, de segunda a sexta. Recomendamos com entusiasmo.
Yara Tupinambá, muralista mineira que nos remete aos muralistas mexicanos, foi a artista escolhida para registrar os 60 anos de fundação da Vallourec Mannessman.Yara, ao contrário dos seus painéis, optou por um conjunto de telas, 120 x 200 centímetros, na técnica Carvão e sanguínea sobre papel especial prensado. De saída, ela dá maior ênfase ao homem e à espacialidade versus visualidade, sendo que esta foi a logística utilizada por ela, no processo do conjunto.
O conjunto de pinturas de Yara, quase mini-painéis, fica à disposição do público até o dia 15 de maio, no Espaço Cultural do Centro Administrativo VM do Brasil, na sede da entidade. Visitas no horário comercial de segunda a sexta, com visitas guiadas através do contato com o curador Robson Soares.
Sob o título “Arte em Dez Tempos”, a Casa Fiat de Cultura em parceria com o programa Sempre um Papo, apresenta Ciclo de Palestras que vai ser realizado de abril a novembro, sempre às 19h30, na Casa Fiat de Cultura, com entrada franca. Myriam Andrade Ribeiro de Oliveira, pesquisadora e uma das maiores especialistas no Barroco e Rococó, abre a série amanhã.
O Local: Casa Fiat de Cultura, sempre à terças, às 19h30 horas.



(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte - Orgão da Unesco.
Home Page: www.morganmotta.com
E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br


27.04.2009