Asas à inspiração



FOTOS: DIVULGAÇÃO/MM

DESTAQUES: “Rainha” (1), de Gina Celeghini, e objetos (2,3) de José Francisco Azevedo



Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS

O que há de comum entre Gina Celeghini e José Francisco Azevedo? Ambos partem do popular, passando pelo erudito, às vezes alcançando o contemporâneo.
No caso de Gina, com sua mostra “A Natureza em Movimento”, existem ressaibos do kitsch.
Por sua vez, José Francisco Azevedo, autodidata, mostra-se surpreendente com seus objetos e esculturas.
Gina, artista multimídia, estudou balé clássico, música e canto, sendo que do seu currículo consta até o Curso de Pintura Renascentista, no Instituto Per Larte e Restauro, em Florença, na Itália. Ela opta pelo produto bruto da natureza, como cabaças que são usadas popularmente no interior de todo o País, além de bens utilitários, cuias, moringas e enfeites decorativos de parede.
No entanto, na imaginação de Gina, essas coisas ganham identidade nova, que as transforma em sereias, trapezistas, ora em princesas, rainhas e até bailarinas.
Partindo da conformação original das peças, sem maiores malabarismos, através de modelagem e das diferentes cores, sua natureza em movimento, com sutileza e propriedade, artista alcança leveza, movimento e dinâmica.
Sua individual serviu para inaugurar a loja de artesanato e galeria de arte que fica no mezanino do Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins.
Quanto a José Francisco Azevedo, desta vez brilha na Galeria de Arte Paulo Campos Guimarães da Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa. A individual traz objetos feitos de arame ou fios desencapados, usando metais como alumínio, níquel e cobre.
São dentes de tubarão, o motor e as portas de um caminhão, um escorpião do mar, um helicóptero e vários aviões, com todas suas engrenagens e estruturas, inclusos motores e portas, provocando grande vontade de interação.
Natural de Ouro Preto, Azevedo realizou outras exposições individuais como, por exemplo, na Galeria da Fundação de Arte de Ouro Preto (1987); na Casa dos Contos, também em Ouro Preto (1994), intitulada “Teia de Arame”, e “Esculturas”, no restaurante Cozinha de Minas, em Belo Horizonte (1997).

Gina Celeghini - Na Loja 34, mezanino do Aeroporto Internacional de Confins. Visitas de 10 às 22 horas. Até 15 de junho.
José Francisco Azevedo - Na Galeria de Arte Paulo Campos Guimarães, térreo da Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa (Praça da Liberdade, 21). Visitas de 10 às 18 horas, de segunda a sexta-feira, e aos sábados, de 9 às 12 horas.


(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte (ABCA-AICA).Home Page: www.morganmotta.com. E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br

28.05.2007