Artes na Semana





FOTOS: DIVULGAÇÃO


1 - Detalhe do mural de Yara Tupinambá na Câmara Municipal de Belo Horizonte

2 - Obra de Bráulio Bittencourt

3 - “Eu não matei Van Gogh” de Ângelo Issa

4 - “Cidades“ de Cláudio Tozzi no leilão do Palácio dos Leilões Galeria de Arte



Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS


Cardápio variado recheado com várias atrações, começando por individuais solos de Bráulio Bittencourt e Ângelo Issa (segunda), passando apela inauguração de mural de Yara Tupinambá – quinta-feira - na Câmara de Belo Horizonte e, obras do próximo leilão do Palácio dos Leilões Galeria de Arte a ser realizado na próxima segunda-feira, dia 5 de julho.


Do século XVIII a XXI

Nome essencial do muralismo brasileiro, Yara Tupinambá inaugura na quinta-feira, o que há de mais recente de sua criação em nível de muralismo. São 7 módulos em uma viagem pela historia política de Minas Gerais, desde a transferência da capital para Curral Del Rey até a busca da justiça social e paz nos dias atuais.Foram 5 meses entre pesquisa e execução deste trabalho de 12 m x 2 m, no qual aborda fatos significantes para nossa cidade.O segundo módulo aborda fatos significantes no século XX: o trabalho operário na construção da cidade, a organização das famílias, a luta das mulheres para se integrarem à vida econômica e política, as reivindicações políticas dos anos 6070 e, finalmente, a imagem do parlamento em sua busca da paz e da justiça social para aqueles que aqui habitam.Sem dúvida, destaque maior na semana.


Em cartaz

MATSURI, a individual de Bráulio Bittencourt reserva novidades, como por exemplo, a partir da palavra título que significa em japonês festival, ele que fez mestrado e viveu sete anos no Japão faz uma viagem Afinal, ele escolheu este tema para reverenciar a vida. Para celebrar a coragem de se expressar, pois o que não se manifesta não existe. Enfim, os festivais foram os momentos mais avidamente aguardados, seja pela festa e pela alegria, pela importância da ocasião correlacionada com a natureza e o universo, tais como colheitas, rituais de fertilidade para preparo do plantio, celebração de solstícios e equinócios, marcando o início de novas estações. Por fim, Matsuri traz um festival de minúsculas partículas e de pinceladas insignificantes ou inexpressivas individualmente, mas que ultrapassam a simples soma ao fazerem parte de um todo, com o poder da integração. Remete às possibilidades de escolhas, às combinações, às potencialidades. É a comemoração do momento de passagem que marca a transição de um ciclo para outro, ou os pontos altos de uma existência. Num paralelo a sua individual no ano passado na Galeria Sesiminas, nota-se uma grande virada em termos de domínio técnico e qualidade. P.S. Lamenta-se o pequeno período em cartaz: até o dia 6 de julho o que chega a ser um insulto ao expositor. O pessoal da Gustavo Capanema já está passando da hora de reformular sua estrutura. Os absurdos, lá são tantos, que não faz jus a nome do seu patrono, Gustavo Capanema.Sabiam??? Com tudo pronto para o vernissage tentaram cancelar em função de um jogo de futebol... Believe or not...


Em cartaz II

Ângelo Issa, sob o título “Eu não matei Van Gogh” faz apropriações com humor e ironia, valorizadas pelo irrepreensível domínio técnico. Enfim, ele incomoda e destrói mitos. A impressão que se tem com sua individual ora em cartaz na Galeria da Biblioteca Pública da Praça da Liberdade, é que ele deve ter se influenciado pela mostra “Art About Art” dos anos 70, realizada no Whitney Museum de Nova Iorque. De Bacon, passando por Van Googh e Tarsila do Amaral, chega-se ao seu mentor intelectual e amigo Miguel Gontijo, cuja silhueta se ‘faz presente na maioria das propostas. Tem Theodore Bry, Hans Staden e por que não até o pedido do óbito do falsário Dr. Cachet.Se não fora o tal Pré-texto de Miguel Gontijo o artista, seus compadres e curadores , por pouco todos eles afogariam em um único caldeirão... Em tempo. Fica em cartaz até o dia 19 de julho na conceituada galeria da Praça da Liberdade. Vale a pena a ver de novo.


(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte - Orgão da Unesco.
Home Page: www.morganmotta.com
E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br


28.06.2010