Arte contemporânea predomina na Casa Cor

01. Rodrigo de Castro: Pintura sobre Madeira
(Ilustração do artista)
02. Serigrafias de Raimundo Colares
(Foto: Cristiano Machado)

03. MegaEscultura de Franz Weissmann
(Foto: Cristiano Machado)
04. Big Olho de Tales, artista de 17 anos
(Foto: Cristiano Machado)

05. Efeito Contaminador, Pelo Excesso, de Leandro Gabriel
(Foto: Cristiano Machado)
06. Fumoi'r, Releitura de Emílio Pucci
(Foto: Cristiano Machado)

07. MegaEscultura de Ricardo Carvão Levy
(Foto: Cristiana Monteiro)

Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS


Em termos de arte contemporânea todas às tendências estão representadas na Casa Cor edição 2005, aberta ao público até 25 de setembro. Instalações, esculturas, objetos, pinturas, desenhos, fotografias e até apropriações, interações, releituras e ,por que não, contaminação. Nos caminhos da mega mostra de decoração, vamos identificar quais os espaços e os artistas que trafegam por tais técnicas e tendências. Visitar a Casa Cor é, sem dúvida, uma verdadeira aula de arte contemporânea nos ambientes internos e externos, no cenário natural do Alphaville Lagoa dos Ingleses com suas montanhas (incluso o Pico de Itabirito), muita área verde e, principalmente a Lagoa em si. A dupla Thiers Matos e Flávia Renault optou por um Jardim Conceitual.

Em vez de espécies vegetais apropriaram-se de material de origem industrial de grande potencial plástico: um tubo laranja, feito de fibras de vidros, de 150 cm de comprimento e 6 cm de diâmetro. Visualmente algo espetacular e não usual. Tod atenção à Casa da Lagoa, de Bernadette Correa: de saída o grande paredão foi todo recoberto com 1.460 flores de metal, produzidas por uma artesã de Tiradentes. O resultado é uma mega instalação de flores de flandres oxidadas. Por sua vez, Edwiges Cavalieri, com sua proposta Van Gogh Lounge tem como destaques o paisagismo de Erly Hope, esculturas figurativas monumentais de Elisa Pena, em bronze, e de quebra flores digitalizadas aplicadas em luminárias rústicas, além de um nicho criado pela arquiteta para receber iluminação especial de efeito de imagem.

Nos ambientes de João Carlos Moreira Filho e Maria Thereza Terence merecem foco a pintura de Niura Belavinha, Ianelli, Amilcar de Castro e releituras de latarias de ônibus do artistas vanguardista dos anos 70, precocemente falecido: Raimundo Collares. Da coleção de sua irmã Terezinha Collares. Em tais preciosidades estão de olho nove entre 10 colecionadores de arte que por lá circulam. Denia Diniz, com Quarto das Criança, lança um jovem artista plástico de Itaúna, Du Alves, com a imagem dos gêmeos. Bastante hiperealista. Quanto ao Home Theater de Andre Ker Bacha, um monumental Franz Weissmann, da coleção de Randolfo Rocha, é o destaque maior. Na Sala de Banho, de Beatriz Lodi e Luciana Motta - por sinal, premiado quando do brunch dedicado à imprensa. Os dois, de maneira inusitada, conjugam passado e presente. Presente com o que há de mais funcional e sofisticado da Deca fazendo 'pendant' com releituras do Barroco Mineiro: pinturas e transparências sugerindo paredes de igrejas e rosáceas em pedra sabão.

Exemplo de bom uso e abuso


A Cozinha e Sala de Almoço, de Germana Gianetti, merece atenta observação pelo bom uso e abuso de 40 raladores de queijos, transformados em objeto de arte por Ricardo Carvão Levy, e aventais pintados por Amilcar de Castro. O Quarto Feminino, de Ana Lúcia Rodarte, vem de fotografia de Brigida Baltar, que participou da Bienal de São Paulo, e da coreana Kyung Jeon, radicada em Nova Iorque, do acervo da Leo Bahia Arte Contemporânea. Quanto o escritório de Christiane Taranto tem José Bento, Monica Sartori e Franz Weissmann com propostas em pequeno formato. Escultura oxidada de Alexandre Abreuvalle se impõe no Estar Íntimo, de Sheila Mundim.

O tapete tibetano da loja Sandra e Márcio é um must no Quarto do Empresário, com assinatura de Andrea Fragoso e Tina Filizzola. Márcia Carvalhaes não levou o primeiro prêmio do banheiro da suíte do casal, no entanto, uma única proposta de Vick Muniz, artista da vanguarda carioca-brasileira, que mora em Nova Iorque, agregou elementos vanguardistas. Carico, com seu Jardim das Esculturas, apresenta peças de pequeno e médio porte de Amilcar de Castro, pintura sobre madeira geometrizante do filho do Amilcar Rodrigo de Castro, e uma mega pintura objeto de Tales, um jovem de apenas 17 anos, juntamente com o ambiente - aquele com obras de Raimundo Colares, dão um show de bola e de bom gosto. Caso disputassem um prêmio, ambos seriam 'Hors Concours'. O Garden Café, de Alexandra e Flávio Cardoso, numa intersecção de dois módulos, corresponde a um caso de contaminação. As megas esculturas - fase Raízes - de Leandro Gabriel, resultaram numa mistureba de árvores, telhados e paredes lamentável.

Considerando que segunda-feira é dia de manutenção, de duas uma: deixar uma única escultura, ou então, colocar no espaço, em vez das quatro embaralhadas, apenas uma ou umas três de porte bem menor. Ainda está em tempo de salvar o exemplo de contaminação-poluição, quando as obras de arte em vez de se integrarem ao ambiente poluem e contaminam. O Fumoir, de Alizio Flavio de Meireles, provoca ao mesmo tempo um senhor 'revival' e uma releitura da década de 60, tudo baseado nas estampas psicodélica do designer de moda dos anos 50 e 60: Conde Emílio Pucci. Finalmente, o Jazz Bar de Tatina e Eunice Tropia, e mais José Eduardo Pinheiro.

A partir de fotos de Aleijadinho e Ataíde de Eduardo Trópia fazem releituras de paredes e tetos de igrejas de maneira livre e atual. Pedro Lázaro, com seu Living, integra o que há de mais importante da Geração 80, como objetos modulados em caixa acrílica estilo 'Box Form' de Paulo Roberto Leal, fase que foi apresentada na Bienal Internacional de Veneza, desenho de Marcelo Solá, foto de Miguel do Rio Branco e um biombo desenhado por ele, que fica trás do sofá, executado em vergalhão de ferro pela Axis Collection.

Antes de alcançar o seu espaço, existe um corredor de 12 metros, totalmente branco, com apenas um rasgo de luz. Sem dúvida, uma entrada minimalista. Também é dele o desenho da mesa de centro. Os demais móveis são da loja São Romão, com destaque para as peças da coleção Branco e Preto, inspiradas nos anos 50. Enfim, é muita tendência e informação num ambiente só, mas, tudo em display, valorizando visualidade e espacialidade. Casa Cor Minas - De 24 de agosto a 25 de setembro. Quarta à sexta, de 15 às 22 horas, sábado de 10 às 33 horas, e aos domingos, de 10 às 19 horas. Entrada: R$ 22,00.

(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte. Home Page: www.morganmotta.com. E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br)

28.08.2005