A arte e a frigoarte





FOTOS: DIVULGAÇÃO/MM



Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS

Artes na Semana, em plena Semana Santa, tem como destaque maior e único vernissage: desenhos hiper-realistas em cor, técnica desenvolvida pelo próprio artista Sérgio Vaz, que antes trabalhava apenas com desenhos elaborados com grafite. No hiper-real o traço é extinto para dar lugar à atmosfera, à realidade inventada. "É a farsa mais próxima da verdade", explica o artista. Enfim, ao primeiro olhar, fica difícil distinguir se a obra exposta é um desenho ou uma fotografia, mas o que há de mais recente do artista vai além disso. "Procuro a proximidade do real, justamente para anular a questão da representação acrescenta o expositor".

O espectador que perde o seu tempo observando o quanto meu desenho é semelhante ao real conhecido, inocentemente cai na armadilha do comum", enfatiza. A nova individual está permeada pela ideia da perda de identidade do ser humano na sociedade moderna. Daí o nome e título "Frigo" vem de frigorífico que, para ele, é um lugar que conserva coisas que já perderam a vida. Ele faz um paralelo entre o frigorífico e o olhar. Assim, ele captura uma imagem de uma pessoa, por exemplo, de apropria e dá a ela um outro significado. É conservada e transformada em outra coisa. Composta de 15 desenhos está dividida em três partes ou módulos: captura, conservação e consumo. É a mesma trajetória da carne do frigorífico, compara Vaz. A nova mostra tem como mote ou inspira-se nos frigoríficos, sendo que suas pesquisas retornam a partir de imagens do corpo humano. São desenhos, no entanto, há ressaibos de propostas impressas digitalmente. Tal foco norteia suas criações atuais o que é bastante peculiar. Ainda assim, é ampla e abrangente ao revelar um estilo próprio figurativo, a exemplo de propostas de hiper-realistas ingleses e até norte americanos. Sérgio Vaz tem 43 anos e atualmente é professor de Desenho da Escola Guignard e do curso de pó-graduação em Ensino e Pesquisa no Campo da Arte e Cultura da Universidade Estadual de Minas Gerais. Ele trabalhou por anos em agências de publicidade como arte-finalista antes de entrar para a Escola Guignard, em 1994, e graduar-se em Educação Artística com Licenciatura em Artes Plásticas. "Frigo", a individual de Sérgio Vaz, tem vernissage a partir de 19 horas de amanhã, na Galeria de Arte da Copasa, à Rua Mar de Espanha, bairro Santo Antônio, podendo ser visitada até o dia 25de abril, de 8 às 19 horas, incluso aos sábados e domingos. Mudando de conversa, Organizada pelas pesquisadoras Maria do Carmo de Freitas Veneroso e Maria Angélica Melendi, uma espécie de "teóricas da modernidade-e-contemporaneidade mineiras, lançaram na Livraria Livroobjeto, sábado à tarde, "Diálogo entre linguagens: artes plásticas, cinema, artes cênicas. Reúne textos de professores e alunos do Programa de Pós-Graduação em Artes da Escola de Belas Artes da UFMG, e de um professor convidado, apresentados no seminário. Um diálogo entre linguagens: artes plásticas, cinema e artes cênicas. Editado pela C/Arte, pode ser adquirido no site da Editora, "www.comarte.com" e nas principais livrarias do pais e incluso na Livrobjeto (Avenida Guarapari, 464, onde ocorreu o lançamento, ao preço de R$ 35.


(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte - Orgão da Unesco.
Home Page: www.morganmotta.com
E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br


29.03.2010