Prós e contras

Obras de Artur Barrio:
01 - Objeto - 1993
02 - Casulo - Sem data
FOTO: Lincoln Continentino

FOTO: Cristina Monteiro

Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS


Muito se fala em nível de curadorias, mas raramente de seus fiascos e êxitos, a partir da Fundação Bienal Internacional de São Paulo e da nossa mais estimulante experiência, na coletiva de caráter itinerante “Tridimensional na Arte Contemporânea, que deve ganhar o mundo no próximo ano.
Ano passado, na matéria “Bienal que Vai Mal" (leia, na nossa homepage, a matéria de 25/10/2004), de saída deu para conferir e sentir a contradição entre o tema “Território Livre", proposto pelo curador geral Alfons Hug, e a montagem. Se o território seria livre, por que a divisão em categorias?

Para Hug, “o território livre da estética começa onde termina o mundo do dia-a-dia", no que erra na teoria e na prática, transformando a presente edição na mais pífia de todas as bienais. O “Território Livre" parece um parque de diversões de segunda categoria.
Agora, ao observamos as bases do projeto da próxima Bienal, vemos que Lisette Lagnado, a nova curadora, quer antes de tudo reduzir o abismo entre o público especializado e o leigo.

Para tanto, terá a colaboração da espanhola Rosa Martinez, uma das curadoras da 51ª Bienal Internacional de Veneza; do colombiano José Roca, diretor da Biblioteca Luiz Angel Arango, e dos brasileiros Adriano Pedrosa, Denise Grinspum (que vai cuidar da ação educativa) e Cristina Freire. Aí é que a coisa pega, considerando que a defesa de tese de Cristina na USP, e sua curadoria sobre conceitualismo no MAC-USP, são deveras restritivas, pois só se pesquisou o que havia no MAC do Ibirapuera nos tempos em que o professor Zanini promovia o projeto “Jovem Arte Contemporânea". Recomendamos a Cristina uma visita aos arquivos do Moma, de Nova Iorque, onde estão textos e catálogos em português e em inglês, resultantes de curadorias do crítico mineiro Frederico de Moraes; também há textos nossos, no arquivo “Information do MOMA", que destaca tudo em termos de arte conceitual no Brasil, América Latina e, principalmente, Belo Horizonte e Rio de Janeiro.
Quanto à mostra de caráter itinerante “Tridimensional na Arte Contemporânea", sem dúvida, foi uma das mais estimulantes curadorias realizadas por nós em 41 anos de atividades, entre quase duzentas.

A mostra estabelece uma discussão: Objeto, escultura ou instalação? Não pretendia responder a essas questões, mas ampliar as indagações. Além disso, pretendia estabelecer um diálogo ente 16 artistas que trafegam por tais suportes e seus mais variados desdobramentos. Não queria um panorama ou uma resenha. Preferi um conceito. Visitei ateliês de vários artistas e procurei fixar-me naqueles que desafiam a linha divisória entre os conceitos de objeto, escultura e instalação.

Na arte contemporânea, essas fronteiras estão diluídas; quando não estão, causamos um deslocamento, uma subversão, uma desordem. Partindo disso, podemos aglutinar trabalhos que dialogam de maneira surpreendente. Afinal, a desordem é o que provoca o diálogo e aglutina tudo em uma direção só.
Mudando de assunto, Sara Ávila de Oliveira, única mineira do Grupo International Phases, integra coletiva no Museu de Arte Contemporânea do Chile. Depois de Santiago, ela vai ganhar itinerância em outras cidades chilenas e países da América Latina.

Por sua vez, Sara Ramo, espanhola radicada em Belo Horizonte, será a próxima atração na Manoel Macedo Galeria de Arte, a partir de quarta-feira. A pesquisa e a diversidade de materiais são um must na trajetória desta espanhola “naturalizada" mineira, que fica em cartaz até o final de setembro.

Fechando o cardápio, Marcus Amaral, arquiteto e artista plástico, tem vernissage de sua individual, no Espaço Cultural José Pedrosa, no condomínio Canto das Águas, a partir de 24 de setembro. O Condomínio fica na Rua dos Pastinho, no centro de Rio Acima.

(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte. Home Page: www.morganmotta.com. E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br)

29.08.2005