Artista retrata palacetes em desenhos




01. Desenho Bico de Pena de Luiz Chaves - Casa Rizza
Foto: Divulgação do Artista

02. Aquarela de Sandra Blanchi
Foto: Divulgação Galeria Agnus Dei

03. Grafite e Gouache s/ papel de Alexandre Menezes
Foto: Divulgação Galeria Agnus Dei

04. Lilia Kawakami - Fotografia
Foto: Divulgação do Artista

05. Nino Rezende - Fotografia
Foto: Divulgação do Artista


Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS


Luiz Chaves, conceituado desenhista e tapeceiro, retoma ao circuito das galerias culturais, com individual na Villa Rizza, a partir de hoje. Aquela construção tombada que foi restaurada pela Petrobrás, passa a funcionar como galeria de arte e bar, na confluência de Avenida do Contorno com a Rua do Ouro. Lá, estará apresentando sob o título de “Palacetes de BH" as seguintes imagens: Villa Rizza, Chapeleira Londres, Colégio Minas Gerais, Palácio das Justiça, Conservatório da UFMG, Automóvel Clube e Correios.
Trafegando pela técnica bico-de-pena, o artista complementa o conjunto com Museu Abílio Barreto, Secretaria de Estado de Fazenda, Museu Mineralogia, Secretaria de Educação, Palacete Borges da Costa, Palacete Dantas (atual Secretaria Estadual de Cultura) e Residência I e II.
Ex-aluno da Fundação Escola Guignard e do mais importante tapeceiro que Minas Gerais já contou, Augusto Degois, o artista plástico Luiz Chaves, partindo dos cartões cria suas tapeçarias, desta vez optou por desenhos ao mesmo tempo simplificados e ampliados. A vernissage acontece hoje das 19 às 22 horas, na Villa Rizza.

Luiz Chaves . Desenhos de palacetes de BH criados em desenho bico-de-pena por Luiz Chaves na mostra “Casarões e Palacetes de BH". Em cartaz até 11 de dezembro. Av. do Contorno, 4383. Visitas de segunda a sábado, das 18 às 22 horas.


Mostra celebra praça

O prazer de desenhar e o desejo de celebrar o desenho como forma de expressão foi o primeiro fator a promover a união desses sete artistas, que expõem coletivamente seus trabalhos, a partir de hoje, sob o título de “Liberdade". Integram a mostra coletiva, na galeria Agnus Dei, os artistas Alexandre Menezes, Andréa Vilela, José Artur Fiuza, José Octávio Cavalcanti, Magda Resende, Mirella Spinelli e Sandra Bianchi. As obras tem um elo comum: todos eles são professores universitários e, sobretudo, professores de desenho, que são referências maiores em termos de desenhos e aquarelas nas Minas Gerais.
Os artistas fazem uma homenagem à Praça da Liberdade, onde a cidade nasceu em seu entorno, da qual cresceu numa velocidade que não respeitou seus valores originais. Mesmo assim, a praça, com seus palácios é um dos cartões postais mais importantes de Belo Horizonte.
A mostra “Liberdade" celebra a praça tantas vezes ameaçada e que passa por uma transformação, e através das suas obras, esses artistas enfatizam a sua vocação. A exposição afirma a Praça da Liberdade como pólo vivo e dinâmico de uma cidade que anseia por espaços onde a sua cultura e seus valores se estabeleçam de maneira flexível e acessível a todos e, por isso mesmo, democrática.

“Praça da Liberdade ". Abertura da coletiva a partir de hoje, das 19 às 22 horas, na galeria Agnus Dei. Rua Santa Catarina, 1155 (Lourdes). Em cartaz até o dia 22 de dezembro. Visitas de segunda a sexta, das 10 às 18 horas, e aos sábados das 10 às 14 horas.


Coletiva promove intercâmbio

A Quadrum Galeria de Arte, abre na próxima quinta feira, das 19 às 22 horas, a coletiva de fotografias dos artistas que integram o Grupo Linha Imaginária, formado por América Cupello (Niterói-RJ), Ângela Câmara Corrêa (paulista que vive e cria na Alemanha), Lilia Kawakami (São Paulo), Natália Coutinho (Belém do Pará), Nino Rezende (Brasópolis-M.G, que vive e trabalha em Cambury-SP), Marcos Palmeiras (Belo Horizonte) e Sinval Garcia (São Paulo).
“Linha Imaginária" é um projeto de intercâmbio cultural que há uma década, aproximadamente, atua em território brasileiro, propondo instigante trânsito entre artistas das diversas regiões do país e de outros países. São mostras coletivas, mapeando o país e dando ressonância à reflexão da arte em termos de arte contemporânea.
Todas as exposições do grupo resultam, antes de tudo, do exercício compartilhado de discussão e investigação de aspectos da linguagem plástica. Maiores informações é só acessar www.linhaimaginária.com.br.

Acrílicas

Ainda no cardápio dos vernissages da semana em Belo Horizonte, acrílicas sobre telas de Jorge de Souza, na Galeria do Banco BNP Paribas do Brasil, hoje, das 18 às 21h30 horas. Sob o título “Âmago", Jorge de Souza apresenta o que há de mais recente de sua produção artística.

Linha Imaginária. Abertura na próxima quinta-feira, dia 1 de dezembro, na Quadrum Galeria de Arte. Avenida Prudente de Morais, nº 78, Cidade Jardim). Em cartaz até 29 de dezembro. Visitas de segunda a sexta, de 12 às 19 horas; e aos sábados, das 10 às 14 horas.


Maria José Fonseca usa técnica pessoal com precisão e poesia

Alécio Cunha
REPÓRTER

Desde 1988, a artista plástica belo-horizontina Maria José Fonseca, 63 anos, aposta em uma técnica só sua, misturando com originalidade, precisão, e claro, poesia, o desenho e elementos como o papel-manteiga dobradiço, a tinta acrílica, o óxido de alumínio, a cola e o asfalto. São obras de grande e inegável impacto visual, reunidas sob o título “Assim é se lhe Parece". A exposição será aberta hoje, a partir das 19 horas, na Galeria de Arte da Copasa, em Belo Horizonte.
O nome da mostra é inspirado pela peça homônima do dramaturgo britânico William Shakespeare. “É para o espectador que acha que não entende arte relaxar e deixar fluir a fantasia", convida Maria José. A técnica empregada pela artista chama a atenção pelo uso consciente de recursos monocromáticos. Há incidência de cores vibrantes, como o vermelho, o ocre e o azul.
A dobradura de papel-manteiga e a tinta asfáltica são frutos de uma pesquisa cotidiana, sempre baseada na artesania e feita com materiais simples do dia-a-dia, como papel de pão, verniz e gaze. “Mas tudo é sempre feito com um olhar contemporâneo", ressalta a artista, que abdica do uso de pincéis. Todo o seu trabalho é construído no diálogo artesanal entre as mãos e a estopa.
Articulando o acaso com paciência zen, a meticulosa Maria José adora observar, contemplar mesmo, como os materiais sofrem a ação corrosiva do tempo. “Tenho a necessidade de destruir o construtivo para fazer o novo e deixar fluir a emoção", assinala a artista, que também não gosta de dar nomes às suas telas.
“Não intitulo a maioria dos quadros, já que se trata de arte abstrata. Quando muito, apresento nomes como “Paisagem em Azul", frutos do impacto das montanhas de Nova Lima", conta Maria José, que dá aulas de pintura naquela cidade mineira. “O título pode direcionar a imaginação do espectador, impedindo-o de encontrar nos traços novas possibilidades", frisa.
Há um sabor de aquarela nos tons opacos de muitas telas presentes nesta mostra. No entanto, “Assim é se lhe Parece" funciona, também, como um tributo pictórico a duas artistas que são referenciais importantes na maneira de Maria José vislumbrar a arte, talvez o mundo: Lygia Pape e Mira Schendel. “Lygia era a artista da luz. De Mira, busquei seu trabalho que usa o papel e a letra como obras de arte. A arte precisa ser estética e poética, mas deve, sobretudo, propor algum tipo de modificação e estar sintonizada com os avanços tecnológicos. É a arte que rompe o pré-estabelecido", afirma.

"Assim é se Lhe Parece". Exposição de Maria José Fonseca. Abertura hoje, a partir das 19 horas, na Galeria de Arte da Copasa (Rua Mar de Espanha, 525. Térreo. Santo Antônio). Diariamente, das 8 h às 18 h. Em cartaz até 5 de fevereiro de 2006. Entrada franca.


(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte. Home Page: www.morganmotta.com. E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br)

29.11.2005