VISUAIS - A 52ª edição de uma das mais celebradas bienais de artes do planeta retoma o caminho do sucesso


Em Veneza


FOTOS: DIVULGAÇÃO


1 - Obra do papa do minimalismo, Elsworth Kelly
2 - Christine Hill constrói dentro de baús
3 - Taibamo inova e renova o vídeo em nível
de figuração narrativa
4 - Instalação do brasileiro Waltércio Caldas,
5 - Proposta bordada, recheada de símbolos
e signos de Leonilson
6 - Cena do vídeo experimental de Luca Buvoli
7 - Instalação de José Damasceno,destaque no Pavilhão
Brasileiro em Veneza




Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS

Em sua 52ª Edição, a Bienal de Veneza, tendo como curador único Robert Storr, deu a volta por cima. Ficou provado que aquela história de um curador geral e vários assistentes era a raiz dos últimos insucessos tanto em Veneza como na Bienal de São Paulo. O norte-americano Storr, sob o tema “Think with the Senses - Feel with the Mind, Art in the Present Tense” - que numa tradução livre pode ser: “Pense com o sentidos e sinta com a mente - a arte em tempo presente” -, transformou o desgastado evento numa promoção que sofreu um “up grade” depois dos fiascos que foram as três edições anteriores.
Há de tudo um pouco, tanto no Giardini como no Arsenale: de elementos geométricos ao uso de elementos arquitetônicos, desdobrando-se principalmente em vídeos, objetos e muitas instalações. Depois de cinco dias e aproximadamente 30 horas de visita, vai aqui um roteiro prático para aqueles que dispõem ou não de tempo em Veneza.
Comece pelo Giardini, onde estão pavilhões de 76 países. O melhor é começar pelo Pavilhão Italiano, onde estão artistas premiados em edições anteriores e participações notáveis em anos precedentes.
Louise Bourgeois e os brasileiros Waltércio Caldas com sua mega instalação em vidros e aço, um verdadeiro labirinto, e Leonilson com seus panos bordados recheados de símbolos e signos, chamam atenção, juntamente monumentais pinturas do norte-americano Ellsworth Kelly, do seu compatriota Bruce Naumann, obras do desenhista e pintor alemão Sigmar Polke, de Nancy Spero e do japonês Tabaimo, este último inova e renova o vídeo com sua figuração narrativa, quase que desenhos animados. Destaques também para a norte-americana Kara Walker e o chinês Chen Zhen, aquele que esteve na última bienal de São Paulo e aqui no Palácio das Artes patrocinado pela Usiminas.
Na mostra. destaque para os brasileiros José Damasceno com suas instalações, e para Angela e Rafael, que propõem algo que parecem fotos tiradas via satélites, plantas baixas e o lusco fusco sugere, algo relacionado com arte cinética em contraponto com o conceitual.
Na sequência da visita pelo setor Giardini, destaque para o Pavilhão da Espanha com Ruben Balsa, José Luis Guerin, Rafael Lamata, Los Torreznos, com seus vídeos e instalações surpreendem. Ainda os russos Tatiana Arzamasova, Lev Evzovich, Evgeny Svyatsky e Vladimir Fridkes, entre outros, são destaques com “Click Hope” (tradução: cliques da esperança).
A representante principal do Pavilhão da Alemanha é Isa Genzken, que tanto deu o que falar no passado com suas instalações compostas de cadeiras de rodas. Desta vez, Genzken usou todos os espaços para colocar em display no chão, nas paredes e até no teto, todos os tipos e mochilas de viagens, num resultado monótono, repetitivo e num conceitual sem nenhuma consistência. Da Europa para a África, Malick Sidibé, ganhador do Golden Lion, graças às suas propostas de esclarecimentos relativos à Aids, é o maior destaque com instalações e trabalho fotográfico.

Na Arsenal
As delegações enviadas por países estão menos criativas e desinteressantes comparado aos artistas convidados de todo o mundo. Mas no módulo do Arsenal, os notáveis justificam tantas horas de visitas. Luca Buvoli, italino de Brescia que vive e trabalha em Nova Iorque, com vídeo e objetos que falam da Segunda Guerra Mundial, da família, da dor, da alegria. Buvoli comparece com vídeo de alta qualidade, que merece ser visto e revisto. O veterano Leon Ferrari, ao contrário de sua participação na Documenta comparece com propostas que vão do bidimensional às instalações. Um ícone argentino, como Torres Garcia, no Uruguai.
A brasileira Paula Trope, com suas fotos e instalações de favelas urbanizadas, dá o seu recado, sem os resultados alcançados em Munique, na famosa Casa de Cultura de lá. Para encerrar, ainda no Arsenal, Yang Zhenzhong, o chinês com suas instalações no módulo inflável e mega-objetos, batizados “Every Day Dreams”. Destaque para a novaiorquina Christine Hill, que trabalha nos Estados Unidos e Berlin com suas instalações construídas em grandes baús.

A mais nova edição da Bienal de Veneza, inaugurada dia 10 de junho, pode ser visitada até o dia 21 de novembro, em Veneza, nos pavilhões Giardini (Pavilhões de 76 nações) e no Arsenale onde estão em display artistas convidados.


(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte (ABCA-AICA).Home Page: www.morganmotta.com. E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br

30.07.2007