O mestre dos vidros


FOTOS: DIVULGAÇÃO

Biombo “Essas Minas Nebulosas”, de Yara Tupynambá; obras de César Romero, Fernando Pacheco, Cirton Genaro e Sérgio Lucena, em São Paulo



Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS

Mário Seguso, que trabalha com maestria na criação de obras de arte em vidraçaria, remetendo ao que há de maior criatividade e ao seu país de origem, a Itália, ganha justa homenagem com sua individual na Galeria de Arte da Assembléia Legislativa de Minas Gerais, em comemoração ao Dia Nacional do Artesão. A mostra, que recomendamos com entusiasmo, denomina-se ½O Vidro do Brasil”.
O ateliê de Seguso fica em Poços de Caldas. Sua obra é conhecida e reconhecida como uma das mais conceituadas no gênero, por todo o Brasil, na Europa e nos Estados Unidos.
Outro grande destaque, com suas propostas em diferentes suportes, a gravadora, pintora e muralista Yara Tupinambá brilha entre os artistas contemporâneos mais bem-sucedidos do Brasil. Seu conjunto, em exibição na Singular Objeto de Arte e Amtiquário, traz muitas referências tipicamente mineiras e, por extensão, brasileiras (leia-se xilogravuras da série Lendas Brasileiras).
É tudo praticamente traduzido em estudo pictórico sério e pesquisado in loco, à altura de artista que integrou um dos primeiros grupos do mestre Alberto da Veiga Guignard e jamais deixou de usar e abusar dos ambientes abertos, desde os tempos da então chamada Escolinha do Parque.
Yara está também na Casa dos Contos de Ouro Preto, no Salão de Exposições temporárias, até 13 de abril, tratando de dois temas que lhe são caros: de um lado, tudo que é significante para cultura mineira - oratórios, flores do cerrado, montanhas, pequenas cidades, as janelas abertas para as paisagens, os objetos do quotidiano...; do outro lado, as imagens vistas nas reservas ecológicas de Minas Gerais.
Mudando de rumo, de BH a Sampa, é sucesso a mostra coletiva reunindo o mineiro Fernando Pacheco, o baiano César Romero e os paulistas Cirton Genaro e Sérgio Lucena, no Espaço Cultural Citi, em São Paulo, sob curadoria de Jacob Klintowitz.
No catálogo, assim se expressa o curador Klintowitz, sobre “Faces do Realismo”: “Os dois assuntos mais importantes dos últimos 150 anos de arte e da cultura são os conceitos do que sejam o real e a identidade do ser humano. A ciência alterou substancialmente a idéia de real com a introdução de novos conceitos da matéria, de nova percepção do tempo-espaço, da estrutura do universo do inconsciente individual e do inconsciente coletivo. E a arte antecipou esta tendência criando mundos fluídicos, geométricos, abstratos, emocionais, espirituais, nos quais tudo parece levar para uma nova concepção do homem e da realidade. Esta exposição reúne quatro artistas representativos de várias tendências, mas poderiam ser cinqüenta artistas, para mostrar a diversidade de pontos de vista e a abrangência do tema”.
A exposição quádrupla pode ser apreciada na capital paulista de segunda a sexta, de 9 às 19 horas, e aos sábados, domingos e feriados, de 10 às 17 horas, no Espaço Cultural Citi (Avenida Paulista, 111), até 2 de maio.


Mário Seguso -
Arte em vidro. De segunda a sexta-feira, de 8 às 19 horas, na Rua Rodrigues Caldas, 30, Santo Agostinho. Até 24 de abril.
Yara Tupynambá - Na Singular Objetos de arte e Antiquário (Rua do Ouro, 582, Serra). De segunda a sexta, de 10 às 19 horas, e aos sábados, de 10 às 13 horas. Até 15 de abril.


(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte (ABCA-AICA).Home Page: www.morganmotta.com. E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br

31.03.2008