Desconstrução de Eymard

- “Memórias da Cidade”, técnica mista sobre madeira de Eymard Brandão

- Eymard Brandão no seu ateliê (Fotos: Rafael Soares)

- Pintura acrílica sobre cartão de Abrão Jabbur (Foto: Divulgação)


Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS

A mais recente produção de Eymard Brandão entra em cartaz na próxima quarta-feira, na Galeria de Arte do Espaço Cultural Cemig. Sob o título “Re-Matéria”, ele apresenta 30 propostas desenvolvidas em técnica mista sobre madeira e pequenos e grandes formatos. Segundo a professora de história Marilia Andrés, trata-se de um artista profundamente coerente com seu trabalho e sintonizado com a arte contemporânea. Afinal, criou uma poética postulada na pesquisa de materiais usados, no seu fazer artístico e norteada pela idéia da desconstrução da arte visual.
Nesta individual, as composições divididas de forma simétrica com tiras de metal podem remeter às suas fases anteriores do artista. Porém, novos elementos e divisões do espaço são recriados e enriquecidos com os mais diversificados materiais, em termos de construção-desconstrução. Acido nítrico, reboco e outros elementos de construção de obras, em camadas superpostas, são elementos e referências. O artista inventa novas formas e lugares outros.
Eymard Brandão é natural de Belo Horizonte, onde reside e mantém seu ateliê. Graduado pela Fundação Escola Guignard (atualmente um dos Campus da UEMG), em 1971, agora ocupa o cargo de diretor da escola. Além disso, premiado, o artista tem um currículo recheado de mostras individuais e coletivas no país e no exterior.

Eymard Brandão. Galeria de Arte do Espaço Cultural Cemig (Av. Barbacena 1200, Santo Agostinho). Até 23 de agosto, de segunda a sábado das 8 as 19 horas. A entrada é franca

Abrão Jabbur na BDMG Cultural

O multi-mídia Abrão Jabbur, artista plástico selecionado para o programa Mostras BDMG, tem vernissage na próxima quarta feira, na galeria do BDMG Cultural. A mostra especial reúne 10 telas de porte médio. Jabbur, 44 anos, mineiro de Passos, é graduado em Direito pela UFMG e aos 35 anos descobriu-se artista plástico: “A pintura, hoje, deve questionar obstinadamente as premissas básicas da cultura predominante. Por mais tradicional que seja (como suporte) ela deve abordar as preocupações que são apropriadas ao caráter da vida contemporânea”, define ele sobre o seu trabalho.
Seu trabalho busca dialogar com o tempo presente, inventando um lugar onde o espectador se reconheça - a realidade social, a solidão do ser, a condição feminina, as contradições do homem.
O curador, arquieto e professor Paulo Pontes assim se expressa sobre Abrão Jabbur e seu trabalho: “Abrão quando abandonou seu mundo seguro de direito e vendas, refugiou-se numa representação autobiográfica de cores e formas violentas, naturalmente procupado em entender e registrar o imponderável e lúdico que o cerca neste início do século XXI”.
Sem se desligar por completo de suas fases anteriores, o conceito renova-se num conjunto essencialmente expressionista.

“Os olhos azuis são feios”. Galeria de Arte do BDMG Cultural (Rua da Bahia 1600). Até 31 de agosto, de segunda à sexta feira, das 10 às 18 horas. A entrada é franca.

(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte (ABCA-AICA).Home Page: www.morganmotta.com. E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br

31.07.2006